L'Isola nelle immagini

foto sopra feniccotteri fotografati ad Olbia.

 

Supramonte di Orgosolo nel
nuorese.

 





Sul lato la reggia Nuragica
di Santu Antine di Torralba



















Sotto: lo stemma della città
di Sassari

 

 

 

al lato
una foto della spiaggia di
Liscia Ruia ad Arzachena i
piena Costa Smeralda.
Sotto la spiaggia di Liscia
Ruia fotografata d'inverno

A Costa Esmeralda

da milenar Sardenha

Un turismo milionário e eficiente, no paraíso da região mais preservada e isolada da Itália, onde ainda sobrevivem bandidos do século XVIII

 

Anibal Fernando

O Consórcio da Costa Esmeralda fechou, esta semana, acordo com as autoridades públicas da Sardenha, por mais dez anos. E, por esse acordo, continua a controlar a política de turismo em toda a região e também a prover todos os servicos, como a manutencão de estradas, seguranca, abastecimento de água, iluminação pública, recolhimento de lixo e tudo o mais que faz uma verdadeira prefeitura.As centenas de hotéis, condomínios e os residentes da Costa Esmeralda , uma área maior que Búzios, não poderiam jamais imaginar viver e produzir, sem a presença do Consórcio e do seu eficiente gerenciamento.Mas o Consórcio não e uma iniciativa recente. Começou em 1968, quando o principe ismaelita Aga Khan comprou terrenos nessa vasta área e planejou o empreendimento que é hoje um modelo não só na Itália , mas na Europa e todo o mundo.

De posse dos terrenos, cercou-se o principe, que também é o líder espiritual dos ismaelitas, uma corrente árabe de tradicional trânsito no ocidente, de uma equipe de arquitetos, planejadores urbanos, etc.

"Ele enriqueceu muitos arquitetos e construtores com altos salários. Mas trouxe para a Sardenha o que havia de melhor entre os profissionais da Itália e da Europa" &endash; diz Gianni Buraggi, um ítalo-argentino que se dedica até hoje com sua firma a construir e manter sistemas de saneamento para hotéis, condomínios e mesmo localidades inteiras, de 20, 30 mil habitantes, mas que estendeu sua atividade a outras regiões, atendendo convites de prefeituras locais.

"Aga Khan planejou e construiu as primeiras edificações da Costa Esmeralda, especialmente sua infraestrutura: aeroporto, rede de água e esgotos, estradas, rede de energia subterrânea, cuidou da paisagem e chegou a requintes, como encomendar a Siemens, postes de luz de desenho exclusivo".

"Nos primeiros dez anos, ficou o príncipe como o próprio presidente do Consórcio que criou, que também, com sua equipe, ditando as regras para as construções e tudo o mais que possibilitou esse desenvolvimento e a maturidade dos empreendimentos em tão curto tempo" &endash; explica o Sr. Mammarela, que veio para a Sardenha recém formado e que hoje é um dos sete membros que governam o Consórcio.

"Depois de Aga Khan, continuamos a controlar a Costa Esmeralda, mas de maneira informal. Só esta semana, assinamos novo acordo oficial, o que dá bem mais tranquilidade aos consorciados e, sobretudo, aos novos investidores". Sardenha, terra de pastores - Mas a Sardenha, que tem uma área de quase 25 mil km2 - a segunda maior ilha do Mediterrâneo (a maior é a Sicília) - não é apenas a turística e rica Costa Esmeralda, mas sobretudo uma região agro-pastoril centenária, tradicional, que se manteve isolada da Europa e da própria Itália. Dista do continente sete horas em modernos navios, mas é vizinha também da isolada Corsega e, como sua irmã francesa, foi dominada, sucessivamente por fenícios, romanos, espanhóis (na Sardenha, sobretudo os catalães), e mesmo árabes, no sul. Pode-se ir ao continente, também de avião: são 35 minutos até Roma.

É uma região de lindas praias, todas recortadas em pequenas baías, mas de altas formações rochosas. Há, no interior da ilha, montanhas de até 2.000 metros, sobretudo no maciço central de Gennargentu, na província de Nuoro. Ao norte, onde está a Costa Esmeralda, sopra o vento Mistral que vem do Leste Europeu e, ao sul, sobretudo, o siroco, da Africa. Chove muito pouco, há um inverno rigoroso e sol pleno na estação quente, que revela o que a ilha tem de mais precioso: a limpidez e transparência de sua águas verdes. Em toda a ilha, se observa total respeito ao mar - especialmente, na Costa Esmeralda, respeito que se estende a paisagem: não há out-doors ou qualquer outra publicidade que interfira na linda vista.

Esse mar que durante as temporadas - julho e agosto - atrai 100 mil turistas, não interessa, porém, aos locais, que vivem no interior da ilha, cultivando a cortiça, cuidando de suas cabras, fabricando queijos que conquistam agora mercados na Europa pela sua excelência, vinho, e artesanato (sobretudo, os tapetes de forte inspiração árabe e valiosos).

"Com o turismo da Costa Esmeralda, e com os demais produtos da ilha, a Sardenha seria rica e auto-sustentável se, em hipótese, se separasse da Italia" - diz com orgulho Gianni, que tem um filho sardo, Fernando, com sua esposa Maria Inez, uma venezuelana criada em Buenos Aires.

A Sardenha é muito pouco habitada para os padrões italianos: são apenas 1,6 milhão de sardos, em toda essa vasta área, grande parte dela selvagem e inexplorada, em contrapartida aos 70 milhões de italianos.

Esmeralda, a empresa - Por tudo isso, diz-se que a Costa Esmeralda jamais poderia existir sem o toque definitivo de Aga Khan.

"Não haveria nem recursos, nem visão, para construir esse gigantesco empreendimento" - garante Giovanni Pintus, também sardo, que com dois sócios (Tonino Corbeddu, que possui 75% da sociedade, e Giuseppe Cardilicchia).

"A razão do Consórcio não se esgota na impossibilidade das autoridades locais de prover sua manutencão e melhoramentos, mas é o principal motivo. Com o Consórcio, estamos livres da burocracia, que impede que as coisas aconteçam na Itália" - comprova ele, que considera mesmo o estado como "um sócio".

"É ainda pior que no Brasil. Entre taxas, impostos, etc, 75% dos lucros vão para o Estado, de uma ou outra forma. Mesmo que o Consórcio represente mais despesas, vale a pena. De outra forma, só estaríamos pagando aos cofres públicos, sem qualquer retorno, como acontece em muitas regiões italianas".

Mas, como no Brasil, há "jeitinhos". Mesmo que isso represente punições por parte da Guarda de Finanças, de longe a mais temida de toda a Itália. Mammarela informa que, todos os anos, numa assembléia-geral, todos os membros se reúnem, estabelecem um orçamento, prioridades, e vão à luta. " Todo empresário ou particular, que se estabelece na Costa Esmeralda, ou que aqui tem apenas sua casa de praia, passa automaticamente a ser um consorciado. Sua cota anual de contribuição é calculada de acordo com o tipo do negócio, tamanho do empreendimento ou da residência, seviços que demanda, etc. Este ano, temos uma previsão de gastos de cerca de 2 milhões de dólares. Essa quantia é divida por todos, e se chega a uma unidade ou "milionésimo", como chamamos. Em cima disso, calculamos os percentuais de cada um". Giovanni com seus sócios, por quatro apart-hotéis, com 360 apartamentos, paga, ao ano, cerca de ... mil dólares, e está amplamente satisfeito, como todos, e pronto a pagar ainda mais, se isso representar ainda alguma melhoria ou aperfeiçoamento. Em contrapartida, só a conta de água é à parte.

Os membros dirigentes do Consórcio, inclusive seu presidente, nada recebem. Mas há funcionários remunerados, 12 apenas, que cuidam dos departamentos de arquitetura (para o licenciamento e ficalização de obras); meio-ambiente, segurança, etc. Quando precisam de novas obras de infraestrutura, ou mesmo um simples serviço de jardinagem, recorrem a firmas autônomas. O Consórcio paga impostos ao Estado ou município como qualquer empresa comum.

 

Nem tudo são flores - O Consórcio, sua eficiência e profissionalismo, fazem com que uma simples residência alcance preços astronômicos em termos brasileiros e mesmo para os já altos padrões italianos. Um pequeno apartamento de condomínio, com dois quartos, pode valer 200 mil dólares e as residências de luxo que, no entanto, não se revelam em meio a paisagem, mesmo porque são sóbrias, no estilo mediterrâneo, quase franciscanas para o modelo buziano, podem valer milhões. O metro quadrado dos terrenos vale mil dolares... E para construir, pode-se calcular uma média de 800 dólares, o metro quadrado. Note-se que são muitas as exigências. Há limites para tudo. E quase todo mundo respeita. Mas aqui também se dá um "jeitinho". Nota-se, por vezes, em locais mais escondidos, uma cobertura extra, uma varanda a mais e, algumas vezes, como em Búzios, o bom gosto da arquitetura dos condomínios deixa a desejar e mesmo sua ocupacão. Casas demais para pouco terreno.

Recentemente, as autoridades públicas locais proibiram, por lei, a construção de qualquer coisa a trezentos metros das praias. O que acabou por inviabilizar novos empreendimentos.

Os empresários julgam a lei absurda justamente porque, mesmo a Costa Esmeralda, tem capacidade para o dobro de construções e parece sofrer, especialmente fora da estacão, do mal da solidão. Apenas 1.500 residem ali. E têm, há anos, tentado aprovar junto as autoridades o "Master Plan", que dobraria o número de construções, evidentemente com toda a infraestrutura necessária. Seriam mais 1,5 milhão de m3.

"Ha algum receio dos políticos locais de perder o controle da situacão", revela um empresário. De fato, os políticos locais mantém uma certa distância da Costa Esmeralda, também porque turista não vota, embora devam achar muito bemvindos os dólares de impostos do turismo. O poder central da ilha, que constitui uma provincia (o correspondente aos estados brasileiros) está em Gagliari, no extremo sul, muito distante.

E a Costa Esmeralda se remete às autoridades da "Comune" de Arzachena, sendo sua influência politica zero - nula. Há esperanças na criação da "Comune" de Olbia, a cidade de 60 mil habitantes, que entende melhor a Costa Esmeralda, sua vizinha e que lhe serve de apoio.

"E sem dúvida, um dia, Olbia terá autonomia e, dentre as comunas será a mais rica da Sardenha " - diz Gianni. Mas sua criação, como tudo que envolve questões políticas na Itália, é imprevisível. Pode ser que, um dia, um grupo de políticos, desprezado, em busca de representatividade ou votos, resolva dar esse passo. Pode ser. Por enquanto, há divórcio completo entre os empresários, o interesse turístico, os políticos e o povo local, que guarda uma antiga herança, como um tesouro: a autonomia própria das ilhas.

Ha mesmo um sentimento arraigado de rebeldia. Numa revolta famosa; a de 1968, a "revolta dos camponeses", todo o povo rejeitou o desejo do poder central de transformar uma pequena parcela da ilha num campo permanente de exercício de tiro" - militarizando a região, como proposta para coibir o banditismo. O governo recuou. Mas houve outras ocasiões: quando, nos anos 60, forçou a criação de uma base dos EUA de submarinos nucleares, que causa protestos até hoje; na tradição dos seus herois que, um dia, se refugiaram na ilha, fora do alcance da justica italiana, como Gramsci; o fundador do partido Comunista italiano e mesmo Garibaldi, que forjou a união italiana.

 
 
 
 

 

Neste momento, a mesma rebeldia se dá, quando o governo quer transformar algumas regiões em parques naturais.

-"Eles, tradicionalmente, rejeitam, qualquer interferência, não importa para o que" - diz um empresário que os conhece. "E se o governo insiste na tal reserva, eles vão lá e põem uma bomba. Se volta a insistir, outra bomba. Quando estão resolvidos, ninguém os demove, ainda mais quando está em jogo sua sagrada e tradicional autonomia. "Nao há nada que um sardo preserve mais".

Essa desassociacão alcança graus de verdadeiro litígio, mesmo de declarada guerra, quando entra em campo a famigerada "Anonima Sarda", que se dedica, de vez em quando, a sequestrar turistas.

O primeiro sequestro registrado se dá em1946, isso com requintes de organização, porque desde 1890, com o sequestro do cidadão inglês Carl Odd, já se dedicavam alguns sardos a essa atividade. Bom, de lá até hoje já são 400 os sequestros... E se revestem de aspectos extremamente cruéis.

Os sequestros duram meses, até anos e atingem sempre visitantes de alta renda, mas já aconteceram também com sardos, desde que ricos. Um dos últimos, foi o filho de Faruk Kassan, um menino de oito anos, que ficou cativo, na mão de seus captores, por seis meses, nas piores condições: escondido em cavernas em montanhas, na região de Nuoro, de impossível acesso a quem não nasceu lá.

Desta vez, o sequestro do menino revoltou até a populacão local que, em outros tempos, se não colaborava, seguia o preceito da "omerta" - traduzido como cumplicidade para com essa velha e cruel forma de ganhar dinheiro, muito dinheiro. Foi pago pelo menino cerca de 3 milhões de dólares, com a oferta sempre subindo, no decorrer do sequestro, que foi anunciado à familia Kassan, na forma de uma orelha. A orelha do menino. Dezenas de sequestrados foram mortos e seus corpos até hoje desaparecidos - talvez quando as forcas de repressão chegaram perto demais.

Não nessa, mas em outras ocasiões, o sardo parece preferir os bandoleiros que os "Carabineiri" - a policia italiana que , muitas vezes, interferiu em revoltas camponesas, agindo com violência.

"Tudo que é ruim vem do mar" - diz antiga tradição sarda, referindo-se às sucessivas invasões da ilha, no processo historico milenar, e parece aplicada nos dias de hoje também ao turismo: assume mesmo ares de vingança lucrativa, quando se trata dos sequestros.